sábado, julho 29, 2006

Bagdade

Chamo-me Bagdade
Outrora cidade das mil e uma noites
Hoje cidade das mil e uma mortes
Lembro-me dos reflexos ofuscantes
Do sol a tocar no meu ouro
Do perfume a incenso e a alfazema
Das minhas casas e dos meus palácios
Do colorido barulhento e agitado
Das minhas praças e dos meus mercados
Mas agora apenas vejo sombras
E o sol só realça os escombros
Um cheiro a pó e a morte
Invadiu as minhas ruas desertas
E das minhas praças ecoam estrondos
E gritos de sanguinolento terror
Porque destruíram a minha beleza?
Porque amputaram os meus sonhos?
Porque apagaram a minha luz?
Porque me assassinaram?
Derrubada, destruída, destroçada
Pela mão de homens que não respeitam
O que outros com amor e suor edificaram
Gostaria de apelar aos bons corações
Para me ajudarem a reaver o meu encanto
Voltar de novo a vestir-me de cores e de brilhos
Porque eu apenas quero ser vida!

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