sábado, outubro 21, 2006

O amor metafórico


Não te quero sabendo que te quero
E, por querer-te, desejo nunca te ter.
Como funâmbula na corda da vida espero
Não cair na tentação que me está a absorver.
Nem sei porque é a ti que quero.
Talvez seja poesia o que está a acontecer,
Um amor metafórico
Que quer ser eufórico,
Um sentimento em que me morro
Porque não quero saber que te quero meu amor.

sexta-feira, outubro 20, 2006

O desenho


Amor,
Desenha-me do Sol o calor!
Amor,
Desenha-me da flor o odor!
Amor,
Desenha-me da carícia o candor!
Amor,
Desenha-me do beijo o sabor!
Amor,
Desenha-me da paixão o ardor!
Amor,
Desenha-me do sonho o esplendor!
Amor,
Desenha-me da vida o alvor!

O meu amor pegou numa folha de papel virgem e, com delicadeza, desflorou-a com traços
quentes,
perfumados,
ternos,
doces,
apaixonados,
brilhantes,
iluminados.

O meu amor desenhou...
um poema!

quinta-feira, outubro 19, 2006

A tua mão


Amor, perdoa os meus momentos de loucura!
Serena-me nos teus braços de brandura!
Preciso do teu colo para me sentir segura!
Preciso do teu calor para afastar a amargura!

Às vezes, deste mundo cruel desejo fugir.
Queria ter forças suficientes para conseguir
Dispersar esta núvem negra e descobrir
De novo a luz que um dia fizeste eclodir.

As memórias e as culpas me atormentam.
A tristeza e o cansaço em mim pesam.
No chão caio. A esperança e o sonho não levantam
E, derrotada, entrego-me às lágrimas que não secam.

Amor, por isso mais uma vez te peço perdão.
Só tu tens a força para me chamares à razão.
Deixa abrigar-me no calor da tua paixão!
Guia-me de novo para a vida com a tua mão!

quarta-feira, outubro 18, 2006

O beijo


Quero dar-te um beijo
Sem pejo.
Um beijo solto,
Maroto.
Um beijo molhado,
Apaixonado.

Quero dar-te um beijo
Sobejo.
Quero e dou.
Enfeitiçou.
Teus lábios despudorou,
Queimou.

Dei-te o beijo
Sobejo, sem pejo.
Tua boca adorou.
Desejou
Outro beijo,
Outro beijo,
Outro beijo
Que eu dou.

Minha boca decorou
Tua boca.
Desenhou
E quis,
Sem rodeios subtis,
Conhecer os ardis
Da tua língua
Sem míngua.

Língua na língua,
Lábios nos lábios,
O beijo aprofundou,
Saboreou,
Deliciou,
Excitou,
Extasiou,
Apaixonou.

O beijo beijou-nos,
Aprisionou-nos.
O beijo partilhou,
Emocionou.
O beijo
Que te dei.
O beijo
Que amei.

terça-feira, outubro 17, 2006

O segredo


Abraça-me como se não houvesse amanhã!
Abre-me como se eu fosse uma romã!
Devagar verás que escondo a doçura.
Prova-me e saberás o que é a ternura.

Despertarei em ti todos os sentidos.
Darei vida a todos os teus sonhos perdidos.
Não tenhas medo, para ti vou me despir.
Mais do que um corpo, verás o meu coração a sorrir.

E assim, um ao outro em entrega,
Num apetite insaciável que o desejo alega,
Descobriremos lentamente o prazer extasiante
Do encontro da tua fome e do meu segredo deleitante.

segunda-feira, outubro 16, 2006

A viagem de Ofélia

Ofélia, Salvador Dali


No clarear da aurora,
Nas brumas de outrora,
Ofélia afogou-se,
Ao rio entregou-se.

Tranquilos os dois,
Sem pensar no depois,
Deslizam sobre a vida
Numa entrega incontida.

Os teus cabelos espalhados,
Longos, loiros, deitados
Debaixo dos pinheiros do monte
Corriam como uma límpida fonte.

Como uma folha morta,
Tão serena e absorta,
O teu rosto tão pálido
Já não estava cálido.

E o teu branco vestido,
Molhado e indefinido,
Do teu corpo revelava a forma
Na transparente plataforma.

Ofélia assim partiste
E eu, só, fiquei triste.
A corrente te levou.
A água te purificou.

domingo, outubro 15, 2006

O luto


Como as folhas que se deixam cair,
A minha vida é um Outono de pranto.
Faço o luto de querer tanto
Que meus ecos consigas ouvir.

Nesta solidão não mais quero viver.
As minha emoções foram humilhadas.
E de nossas vidas partilhadas
Ficaram só lembranças do meu sofrer.

Por isso ao vento me vou entregar.
Ele que me leve para onde quiser.
Aceitarei serenamente o que me propuser
Para desses grilhões de mágoa me libertar.

sábado, outubro 14, 2006

O esboço


Grafismos de ideias
Esboçados no papel,
Como sangue nas veias,
Como carícia na pele,
Correm e deixam marcas
Em mim e em ti,
Desejam ser monarcas
E reinar por aí,
Até onde chegarem
Aos olhos do mundo,
Até onde tocarem
Nas emoções bem fundo,
E se mostrarem a realidade
Acreditemos com devoção,
E se não forem verdade
Viajemos na imaginação!

sexta-feira, outubro 13, 2006

O prazer


Tela
Tão bela
A tua pela
Tatuada na minha pele

Toca
Toca-me
Com tua boca
Até eu ficar louca

Paixão
Quente tensão
Passa tua mão
Acaricia a minha tentação

Prazer
Ter-te
No meu ser
Todo nu a estremecer

Orgasmo
Sem pasmo
Nem nenhum pleonasmo
Mas num intenso espasmo

quinta-feira, outubro 12, 2006

A noite



A noite, de mãos delicadas,
Esculpe a abóboda celestial,
Cria o trono do Universo divinal.

A noite, de mãos adornadas,
Enfeita o céu com diamantes,
Ilumina a Lua para os amantes.

A noite, de mãos de fadas,
Concede desejos de paixão,
Desperta a magia do coração.

quarta-feira, outubro 11, 2006

A tempestade


Perdidos no meio do negro mar,
Os marinheiros, com valentia, estavam a lutar
Contra a tempestade colossal que os queria afundar.

O navio vulnerável balançava nas ondas sem parar
E as vagas agigantavam-se para o inundar.

Todos estremeciam com o pavor de virar,
Pois o casco e o mastro estavam a estalar.

O vento, furioso, as velas violentadas tentava rasgar.

Instável, o leme já não se deixava governar.

Indo ao sabor do revoltoso mar,
Assim estavam aqueles homens a navegar
Vendo dolorasamente suas vidas a naufragar.

terça-feira, outubro 10, 2006

A inspiração


Como um alvo vértice de pureza
Que brota da fonte do coração
Mais límpido que qualquer devoção,
Bebo de ti toda a tua beleza.

E nessa bela e sublime grandeza,
Entrego-me à purificação
Das doces lágrimas da emoção
Que do meu ser se soltam em leveza.

Ó inspiração! A ti devo a vida!
Tua linda luz me fez renascer
Das cinzas onde eu estava escondida.

Tu! Tu és esse magnífico ser
Que me ajuda a sentir protegida
E o amor-próprio engrandecer.

segunda-feira, outubro 09, 2006

A chuva


A chuva cai
No meu coração.
Melancólico se esvai
Libertando a comoção.

Em tons de monotonia,
A minha alma pinto,
E a triste sinfonia
Retrata o que sinto.

Também chove lá fora
Pingas indolentes
E a natureza chora
Lágrimas ingentes.

A terra bebe o pranto
E absorve a dor.
Eu, involta no manto,
Entrego-me ao torpor.

domingo, outubro 08, 2006

A volúpia


Diluviano é o prazer que corre e escorre impetuosamente nos canais carnais do meu corpo suado, molhado, inundado e luxuriante de volúpia, contorcendo-se lascivamente na cadência da respiração ofegante e ofuscante que inebria em torrente o meu desejo sobejo.
No fim, arrastada e arrebatada pelas correntes tempestuosamente intensas da minha arrojada entrega, fico despojada de mim própria e repouso inerte e pacífica mas purificada, unificada e libertada.
Depois, virá a calmaria serena e amena que me disfarçará com as suas vestes de quotidiano social, formal, banal.
Tudo escondido.
Tudo contido.
Tudo seco.

sábado, outubro 07, 2006

O abrigo


Gostaria que minha voz ouvisses,
Mesmo em exílio do teu coração,
Que te libertasses dessa prisão
E que do peso das mágoas fugisses.

Queria que as penas me confessasses,
Que o silêncio não fosse solidão.
Caminharmos na mesma direcção,
Com amor sincero te aproximasses.

Ser para ti o refúgio leal.
Ser a tua alma gêmea e a presença
Que ouve e não fica na indiferença.

Quero ser p'ra ti asilo ideal,
Abrigo que te acolhe a diferença,
A plenitude em sua omnipresença.

sexta-feira, outubro 06, 2006

O adeus


Adeus! Meu lindo e terno amor, adeus! Parti.
Foge de mim! Fui indigna do teu amor,
E agora o meu coração chora com a dor
Cobarde de nunca se ter entregue a ti.

A minha alma é como a vil erva daninha
Que se instala e destrói tudo em seu redor.
Liberta as tuas asas! Voa como condor,
Meu amor! Entrega-te a quem te acarinha!

O crime mais hediondo eu cometi.
Sem dó, sem arrependimento te menti
Em cada amargo momento em que te beijei.

Vai, amor! Para longe, para sempre, vai!
Limpa a lágrima de saudade que cai!
Infame, eu te enganei. Nunca te amei.

quinta-feira, outubro 05, 2006

O poeta


Em tudo existe poesia.

No coração que palpita por amor;
No coração que sangra com dor.
Na lágrima que se solta por emoção;
Na lágrima que rola com desolação.
No beijo que unifica a paixão;
No beijo que anuncia a separação.
Na mão que afaga o cabelo;
Na mão que desespera em apelo.
No sorriso que revela a alegria;
No sorriso que oculta a melancolia.
Na palavra que ilumina o teu mundo;
Na palavra que derruba para o fundo.

Em tudo existe poesia,
E tu, poeta, não o podes negar.
É essa a tua afrodisia.
Deixa a tua alma rebentar!

quarta-feira, outubro 04, 2006

A ruptura


Convidaste-me para tomar café
E eu fui ter contigo plena de fé
De que iríamos resolver os nossos problemas,
Conversar acerca dos teoremas
Mas, num tom grave e frio,
Atiraste-me sem pausas o teu discurso sombrio
E eu, incauta, fiquei atordoada
Como se tivesse sido abalroada
Pelo teu abrupto "Não te amo mais"
E pelo cruel "Não me procures jamais".
A nossa história acabou assim.
Para os meus sonhos e planos foi o fim.
Sei que nunca poderemos ser amigos.
Num instante tornámo-nos inimigos.
Partiste lançando-me um duro adeus
E eu fiquei me perguntando se há Deus.
Fiquei mais um pouco sentada.
Na verdade, estava totalmente aterrada.
No meu pensamento atropelavam-se recordações.
Dos nossos momentos bons fiz compilações.
Levantei-me e comecei a deambular pela ruas
Sentindo apenas cheiros e sabores de amarguras.
Ao chegar a casa, atirei-me para cima da cama
Mas mais parecia que estava deitada na lama.
Fechei os olhos não querendo nunca mais acordar.
É isso que se sente quando já não se pode conjugar o verbo amar.

terça-feira, outubro 03, 2006

O roubo da lua


Pedi-te a lua.
E tu por amor disseste que a ias buscar.
Partiste num final de tarde pelo caminho dos sonhos em direcção ao ocaso do horizonte. Quando lá chegaste, já tinha caído o véu da noite e a lua redonda estava a acordar.
Com um silencioso cuidado, aproximaste-te devagar para ela de nada se aperceber e, vendo que ela estava distraída a conversar com as estrelas luminosas, a agarraste e embrulhaste no teu saco de magia para a esconder.
Mas as estrelas, agora furiosas por verem a sua rainha a ser roubada, uniram-se em astro cadente e, com a força de um trovão, despedaçaram o teu coração e transformaram-te em cinza prateada. De seguida, a lua libertaram e esta retomou majestosamente o seu lugar para de novo o céu sombrio iluminar.
Foi o luar que me contou o que tinha acontecido.
Por tanto sonhar, percebi que te tinha perdido.
Mas, apesar de não mais te poder tocar, vejo-te nos reflexos de prata que o luar pinta no mar. E esse brilho ninguém jamais mo poderá tirar.

domingo, outubro 01, 2006

A pintura


Eu gostaria de ser pintora!
Pegar numa tela nua
E acariciá-la com traços cuidadosos
Em movimentos harmoniosos.
Suavemente e com mestria,
Misturar cores em matizes subtis
Para abrir a janela da imaginação
E a porta do coração.
A pintura é um poema!
Olhar para ela
É sem palavras ler emoções,
É despertar todas as sensações.